quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cinismo


De todo jeito
os olhares denunciavam.
De toda verdade
um confirmava.

A outra se oferecia e ele entregava...
A outra buscava e o mistério conseguia...

O presente era outro...
Da outra o quisto...
Dela ficou a miséria...
E dele o cinismo.


Clareanna V. Santana, 03 de novembro de 2011.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Quatro Amores

O porta-retratos
muda, às vezes, de figura.
Mostra o que está guardado aqui dentro.
Nos olhos as lembranças amargam
saudades que o orgulho não permite.

No porta-retratos,
no retrato desfocado,
os rostos que dói
o peito...

A soma deles é três,
porém, em verdade,
são quatro:
Quatro amores
desfocados.

O quarto não se vê, mas está lá
autografado.



Clareanna V. Santana, 01 de novembro de 2011.

sábado, 13 de agosto de 2011

O Céu de Papel Dobrado


Era papel para todo lado.
Dobrado, amassado...
Papel rasgado, pintado...

Eram estrelas, quadrados...
Triângulos, pedaços...

Bocejos, cansaços...
Dores... reclames...

Eram amantes...
Feito a Lua?
O Sol?
A Fome.

Eram histórias,
Sorrisos...

Em cada palavra cantada,
uma lembrança de infância...

Em cada estrela,
um pedaço do céu...

Em cada causo...
Um final...
Feliz.


Clareanna V. Santana, 13 de agosto de 2011.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O ponto

Era o suor que descia dos olhos!
Ela não admitia qualquer fraqueza.
Tendo em mente o futuro
pensou: – tudo passa...

Na cabeça o passado...
E relembrou os bons momentos,
mas no fundo o que mais doía
era o diálogo e o silêncio...

O ponto, que de tantos já foram contemplados,
este era o final.

E dois dias se passaram...

Dois dias de suores,
rumores...
Desgostos.

Dois dias de tremores...
Desgarrando...

E então?
Exorcizado.


Clareanna V. Santana, 12 de julho de 2011.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A senhora


Da escolha:
A segunda opção.
Terreno marcado
Palavras não ditas,
Mal ditas...

E um presente que não deveria ser dado:
A tristeza.



Clareanna V. Santana, 06 de julho de 2011

“A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora”

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um Brinde

Aos olhos que já não falam
e gritam ao som do silêncio!

Brindo à luz da dúvida que me cega...
Às palavras que não dizem nada!
Nada! Apenas para o segredo.

À incerteza que guia e leva horrores para o ignorante...
À Lua que me aparece de vez em quando.

À embriaguez que amortece
a dor do pobre...
E à Rita...
Que levou meu sorriso.



Clareanna V. Santana, jun. 2011
@Clareamente

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Decalque

Nada como o fácil,

- tão fácil-
tão dócil seu abraço.
Nada como esse que flutua...

Nada como feito o elo
no quinto dos desejos
ou frio dos infernos.

Nada como aquilo que cala,
ou fala tocando...

Nada como o ódio,
decalque do ócio,
pra me ter na rua...

Nada como o tédio,
inverso, sozinho...

Nada como o ato...
o palco...
performance sua...
egoisticamente nua.



Clareanna V. Santana, 30 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lamento

O céu não está mais
tão estrelado...

A Lua não está mais
tão cheia...

Seus olhos não
brilham tanto.

O Sol, não mais
me clareia.



Clareanna V. Santana, 26 de maio de 2011.

Armadilha

Os Gatinhos sorrindo
caíram na armadilha
do Cão danado.

- Que Cão, que nada!

Era Lobo sabido
que de nada era Burro,
pegou sua arma
e levou os prêmios
dos Patos sortudos.



Clareanna V. Santana, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O dia

Algumas coisas se reservaram para hoje:
carinhos,
favores
atenções.

Algumas palavras se fizeram hoje:
tensões,
desejos
avisos.

O futuro alertou-nos hoje:
atrasos,
tremores,
promessas...



Clareanna V. Santana

domingo, 10 de abril de 2011

[Automotor]

Lá vem ele!
Passou...

Parecia um demônio furioso
baforando ar quente.
Consequência de um motor
à 100 km/h.




Clareanna V. Santana, 10 de abril de 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Rapidinha

O que seria de mim
se esse lençóis suados
não transmitissem
esse velho,
doce
e avassalador prazer?


Não Pense!
o orgasmo
é o mais efêmero
dos prazeres
humanos.



Clareanna V. Santana

sábado, 12 de março de 2011

Silêncio

Os olhos refletiam a luz da tela.
No meu ouvido? Nada...
A tarde passava e escurecia.
No meu abraço? Nada...
O sono chegava e ia embora.
No meu corpo? Nada...



Clareanna V. Santana, 12 de março de 2011.

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres...

Eram três na mesa.
Três mulheres procurando um destino.

Três cabeças,
cada uma na sua língua.
Cada uma buscando um sentido.

Eram três desejos e mil escolhas...
Cada uma com sua beleza,
com seu impasse.

Três cabeças à mesa.
Cada uma com seu teatro,
conflito,
segredo...





Clareanna V. Santana, inspirado no dia 19 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Convivência e Paz

Cinquenta era o número de cabeça.
As cabeças, cada uma delas na sua.
Sua crença era cada uma delas.
Em cada cabeça, sua crença, era Sua.

Cinquenta eram cada uma de suas ideias.
As ideias eram cada uma violada.
Cada ideia eram ideias avançadas.
Em cada tempo violado.
Em cada tempo avançado.

Cinquenta eram as cores que achavam.
Eram as cores e sabores.
Cada ideia vislumbrada.

Cinquenta eram as raças inventadas.
Humanas raças... raras... nulas,
mas humanas.

Cinquenta eram os sentidos cruzados.
Moídos.
Contrastes.

Cinquenta eram as almas diferenciadas.
Cada símbolo citado,
em cada época polida
da política vida infinda...
Fim da vida política.

Cinquenta eram perguntas sem respostas.
Eram discursos de ego feito.
Eram cinquenta “cinquentados”.
Dessa vida? Quase nada!

Cinquenta era minha paciência.
Paciência feita um humano.
Humano feito o Estado.
Inventado num feito, num gesto
muito bem elaborado.

Da palavra que deu sentido
uma só foi incorporada.
Quase ordem, quase norma...
Numa paz. Palavra paz...
e o “nós” quase incompreendido.



Clareanna V. Santana, 22 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tabu


O sexo
nos deixam
atordoados:

- Gala! Teta! Gozo! Falo!

Tabu exagerado
que faz os olhos arregalados
pedirem silêncio...


 

Clareanna V. Santana, 15 de Fevereiro de 2011.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Espelho

 

Voltei no tempo
Um homem surgiu
Foi só por um segundo
E meu mundo caiu





Clareanna V. Santana, 12 de Fevereiro de 2011.