sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ela passa, ele falha



E assim ela passa
enquanto caminha pelas ruas,
passando pelos homens
em transe.
Sente no senso
enquanto ele bate,
noutro remate.

E assim ela me passa,
me olha,
transborda hormônios.
Noutro, enquanto passa
nem vê,
não enxerga
tudo que vê.

Enquanto num ele bate,
noutro aponta.
E vivendo passando,
olhando,
esperando...

Enquanto num ele bate,
noutro falha,
falha,
falha!
Falta-me à boca
a palavra,
o gesto.

E assim ela passa
sentindo o caos,
os murmúrios,
os mal-quereres.

De mudo?
O muro.
Me passa,
olha,
penetra,
vai-se embora.

E assim ela passa
enquanto num ele bate,
noutro ele falha...

E me falta fôlego.
E me falta calma.


Clareanna V. Santana, 2009.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mu/dança



Mudar o estilo
mudar o status
mudar de vez...

Mudar com a lua
ficar nova
minguante
nua
talvez...




Clareanna V. Santana, 07 de novembro de 2013.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Azedo




Queria dizer
mas segurou...
talvez nem era dizer
era agir...

Pareceu um vulcão que segurava para não explodir.

Mas queria falar
e se adiantou...
talvez nem queria ficar
mas ficou...

Pareceu uma versão daquilo que sempre quis fugir.

Mas foi na frente
e pensou...
talvez nem por aguentar
falou...


- Vá para o inferno!
Ríspido gritou.


Clareanna V. Santana, 16 de julho de 2013

domingo, 14 de julho de 2013

A água



Escondia-se
no silêncio dela,
aquela gala rala,
numa noite turva...

E perguntava:
Será que foi baba?
Ou será que foi chuva?



Clareanna Viveiros Santana 
João Pessoa, 07 de abril de 2008

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nota




Na solidão
me desfaço
no relampejo
da ideia, pois
entre raios
e trovões
me traduzo
no
Anthropological blues.



Clareanna V. Santana, 03 de julho de 2013.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Poema de Meio Tempo


Papo reto,
direto,
com direitos
e sem direita...

Papo torto
Jura ao corpo
Fluidez moderna
Personalidade da massa...

Massa nada!
Anonymous...
E agora?

Se liga
gigante
que a sorte
é grande
e a fé
não faia...



Clareanna V. Santana, 01 de julho de 2013.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Campo




No meio da face
um traço
Dos cílios ao queixo
descia

Descia lentamente
transparente
Como traço
do sofrimento

Metáfora tardia


Clareanna V. Santana, 14 de Março de 2013.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Destino



Não brinque com a vida!
disse o tempo.
A vida não tem preço,
o tempo tem.

Tem mero apego ao acaso,
é o destino.

Pois bem,
destinam-se os homens
a jogarem fora
todas as oportunidades.



Clareanna V. Santana, 08 de janeiro de 2013