sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Busca



Ela, que tinta fresca
a vida,
relembra os perigos
da fala.

Ela, que roxo
queima, machuca,
mostra os anseios
da alma.

De tudo que faz sentido
nem tudo me traz água.
Da alma que busca o riso
nem tudo me faz calma.


Clareanna V. Santana, João Pessoa, 2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

DA PALAVRA OUVE-SE O MUNDO


Da palavra posta
a cantiga é dada.

Quem entende em palavras
a dor que se cria?

Na palavra dita
a história é contada.

É possível ver o mundo
pela voz da poesia?


Clareanna V. Santana

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Trocadilho


Nada
quando quisto
fora dado.

Tudo
quando dado
falo quisto:

‑ Existo!



Clareanna V. Santana

sábado, 4 de julho de 2015

Insônia

Caótico e insensato
É o medo de cair no mundo
Frágil e secreto
Jogar-se ao paralelo
Tormento e insônia



Clareanna V. Santana

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Humanidade


Nem precisava convencer
era do choro que ela ria,
do riso que chorava.

Nem precisou contar.
Não adiantou esconder.
No final eram as lágrimas
que denunciavam.

O que a fez sorrir
nos fez chorar.
Então chorei.



Clareanna V. Santana

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Tempo da fera



As mãos seguraram o corpo
enquanto a cabeça contava as horas.
O tempo, que inimigo do sono,
passou lentamente.

A Hora então duas
fez-se uma
E a fera, deveras atrasada,
viveu duas horas para esperar.




Clareanna V. Santana, 2012

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ciúmes



O tempo passou como a cada dia
e cada dia que passa
amo mais do que odeio...

Então a chuva chegou
e trouxe sonhos...
E cada sonho que tenho
brigo mais do que amo...

O vento apareceu
e levou o tempo...
E cada vento que sopra
odeio mais do que brigo...

A cada tempo eu amo...
Cada chuva eu brigo...
Cada vento odeio...

Parece até que o vento
está com ciúmes da chuva...
e o sonho com ciúmes do tempo.


Clareanna V. Santana