sábado, 23 de julho de 2016

Na Tua Maré



Se esse nu
que tu vestes
Me causa a cor
tão boa.

A tua farsa
fardada
No caos
à toa...

Traz-me vergonha
tardia
E uma Solidão que
magoa...

Traz-me referência
de teu corpo
E o adeus
que doa!

Pois é pela cadência
do sopro
que me amarro
na proa.

Clareanna V. Santana

@Clareamente

terça-feira, 21 de junho de 2016

Alma



Dentro de mim
Mora o espaço inteiro.
Nem o corpo fraco
O deixa escapar...

Dentro de mim
Nasce poesias há anos.
Hoje, uma delas
Me faz transbordar...

De todas
A que confunde
O real e o imaginário
Não se vê…
Está guardada.

Não olho nos olhos
Para não me decifrar.


Clareanna V. Santana
@Clareamente


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sobre Saudade


De longe
parece presente.
É d'onde nasce o fogo...

De perto
é saudade.
Bem tímido,
Morno...

Mas é fugaz
Quando se encontram...

Seja de perto
Ou de longe...
O tempo não é suficiente.

Clareanna V. Santana
@Clareamente

terça-feira, 14 de junho de 2016

Como veio ao mundo



O belo
como veio ao mundo:
Liso, solto, manso...

Tateio cada curva
cada centímetro convexo,
e o côncavo...

Em meio às pernas
me entrelaço
e entre elas
me liberto...

Seja pelos olhos
ou pela boca
como, delicioso,
o que o mundo me ofereceu.

Clareanna V. Santana

@Clareamente

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Buceta


Pôs na boca
Como quem comia
seu alimento.

Beijou
Como quem matava
a sede.

A cada mordida
adormecia,
Friccionava
a pele,
derretia
na boca.

À um passo
da coxa
alimentava-se
de carne,
lubrificava-se
de pele.


Clareanna V. Santana
@clareamente

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Covardia


Das palavras 
que me perseguem
Leio-as achando minhas.

Encontro os dedos
tateando a pele
Dentro e fora
a agonia.

Dos meus sonhos
enquanto ia...
Não me reconheço
enquanto vinha...

Face a face
não tem limite
Era isso
que nos unia.

Das palavras
que foram versos
A história
e o destino ria.

Mesmo que fuja
destacando o golpe.
Somos nós
a covardia.



Clareanna V. Santana
@Clareamente

terça-feira, 19 de abril de 2016

Tête-à-tête



A tinta
Fresca
Pele
Com minha cara.

A Tinta
Seca
Pinta
E borda.

A pele
Clama
Morde
E assopra.


Clareanna V. Santana
@Clareamente


Golpe

A história revive 
o que não queria retorno.

A dor e a luta acirrada há anos
Foi amaldiçoada na boca de um vândalo.

A realidade castiga
E o corpo responde...

Entre pernas:
O sangue
Na façanha:
O golpe.

Clareanna V. Santana

Do Nada


Eu tenho a poesia
guardada na memória
de ontem.

Dos contos
recitados;
Dos beijos
molhados;
Abraços
apertados;
E sede 
Insaciável.

A poesia do ontem
que guardo
é para as horas
Do Nada.

Eu tenho
a poesia
enclausurada...
Engatilhada!

Guardada
na memória,
no desejo do novo.
E de novo…
E de novo…
Desprogramada.

Clareanna V. Santana

domingo, 3 de abril de 2016

Poesia do elogio



O amor, enquanto cego,
Não vê
Que está desperdiçado.

Da palavra que se preza,
elogio adjetivado,
palavrões recitados
que a fonte não se nega.

Quando tola
mas não surda
faz do acaso
um mero engano.
Seja lesa ou seja burra
não se encaixam no mesmo plano.

As citações desnecessárias
Vai à fundo nesse dano.

Mas tudo baixa...
Tudo esquece.
Abstrai...
Desmerece.
Sendo chata
Ou sendo peste.

Clareanna V. Santana
@Clareamente



terça-feira, 1 de março de 2016

Sobre Terça-feira


No casulo
me escondo
canso
me permito
o sono



Clareanna V. Santana

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Doce


Mel!
É o que
derramei em minha boca
Era apenas um nome,
mas como doce
Esparramou em meus lábios
e se desfez sobre minha língua.


Clareanna V. Santana
@Clareamente