quinta-feira, 21 de abril de 2016

Covardia


Das palavras 
que me perseguem
Leio-as achando minhas.

Encontro os dedos
tateando a pele
Dentro e fora
a agonia.

Dos meus sonhos
enquanto ia...
Não me reconheço
enquanto vinha...

Face a face
não tem limite
Era isso
que nos unia.

Das palavras
que foram versos
A história
e o destino ria.

Mesmo que fuja
destacando o golpe.
Somos nós
a covardia.



Clareanna V. Santana
@Clareamente

terça-feira, 19 de abril de 2016

Tête-à-tête



A tinta
Fresca
Pele
Com minha cara.

A Tinta
Seca
Pinta
E borda.

A pele
Clama
Morde
E assopra.


Clareanna V. Santana
@Clareamente


Golpe

A história revive 
o que não queria retorno.

A dor e a luta acirrada há anos
Foi amaldiçoada na boca de um vândalo.

A realidade castiga
E o corpo responde...

Entre pernas:
O sangue
Na façanha:
O golpe.

Clareanna V. Santana

Do Nada


Eu tenho a poesia
guardada na memória
de ontem.

Dos contos
recitados;
Dos beijos
molhados;
Abraços
apertados;
E sede 
Insaciável.

A poesia do ontem
que guardo
é para as horas
Do Nada.

Eu tenho
a poesia
enclausurada...
Engatilhada!

Guardada
na memória,
no desejo do novo.
E de novo…
E de novo…
Desprogramada.

Clareanna V. Santana

domingo, 3 de abril de 2016

Poesia do elogio



O amor, enquanto cego,
Não vê
Que está desperdiçado.

Da palavra que se preza,
elogio adjetivado,
palavrões recitados
que a fonte não se nega.

Quando tola
mas não surda
faz do acaso
um mero engano.
Seja lesa ou seja burra
não se encaixam no mesmo plano.

As citações desnecessárias
Vai à fundo nesse dano.

Mas tudo baixa...
Tudo esquece.
Abstrai...
Desmerece.
Sendo chata
Ou sendo peste.

Clareanna V. Santana
@Clareamente