quinta-feira, 27 de abril de 2017

VerPoesia



Coisa que o coração
não sabe
abre portas
para o esquecimento.

Tange veias
com morosidade
Falta calma
no entendimento.

Eis que falo
sobre fatos,
não se trata
de fingimento.

Tendo dito
e me travo
Abro páginas
e lamentos.

Ver poesias
tem sentido
que desbravam
o firmamento.


Clareanna V. Santana
@Clareamente
@VerPoesia



terça-feira, 21 de março de 2017

Cardiopoesia*



Parti
para outro plano!

Gostaria de sentir
o que aquele muro sentia
quando passei
pela primeira vez.

Olhei
dentro dos olhos do mar
e perdi aquela memória
do caminho que fiz
quando ele falhou
pela segunda vez.

Busquei
um novo sentido para a brisa.

O vento me levava
para outras décadas.
Era jovem ainda,
queria sentir mais.

Então comi
toda alegria que me dera.
Engoli,
mastiguei,
e cuspi no prato que comi.

E senti
a quimera que me envolvia,
nascendo de novo naquela
mistura de sal e terra.

E descobri
que meu coração bate e sofre
de poesia.


Clareanna V. Santana
@Clareamente

* com licença, poética.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Vulva
lucidez
do dia amargo.

Viva
a fluidez
do teu afago.


Clareanna V. Santana

@Clareamente

quinta-feira, 16 de março de 2017

Dois pontos

Do segredo
nas palavras
o foco:
falar de tudo
sem dizer nada

traduzir sonho
travestir mente

Ser
pra mim
é ser tão nós
e não ser capaz
de conter

Ser enfim
convertermos sós
pois o que
me pulsa
é liberdade
de ser plenamente


Clareanna V. Santana
@Clareamente

domingo, 12 de março de 2017

Desatando nós


Forno
parece afogado
insuficiente em mim
quente
dor
mente.

sente
sinto
egoisticamente
engodo
dormente…

ácido
parece sonho
ansiosamente em vós
e sós
nós
desatando nós.


Clareanna V. Santana
@Clareamente
Neste domingo,
                              - poesia que me faço -
busco entorpecer-me de ti
sem saber pr’onde ir,
sem saber pr’onde andar…

Neste domingo
conjungo verbo amar
na realidade salgada
que insisto em sentir
que insisto em ficar...


Clareanna V. Santana

@Clareamente

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cansou
de bater
contra o destino.
Por pouco
fez-se fora
focou-se dentro
jogou-se da ponte.


Clareanna V. Santana

@Clareamente

quinta-feira, 9 de março de 2017

O
corpo
não obedece
razões.
A paixão
move
cada tendão.
Cheio de sangue
Cheiro de gozo
Cheia de carne.


Clareanna V. Santana
@Clareamente



Atalhos


Singela
Ela
percorria
atalhos
por uma vida
mais intensa.

Clareanna V. Santana
@Clareamente


domingo, 5 de março de 2017

Dois


caía sobre Ela
o tino suspeito
que queria.

desejo oculto
transbordaria
feitiço,
fantasia.

Dela
havia respeito
com gosto
de terra.

Dele
gosto de março.
Entre a Lua e o Sol
um destino salgado.


Clareanna V. Santana

@Clareamente

sábado, 4 de março de 2017

Dona



pintou-se de si
corou-se em azul
fitou um estranho
pensou num caminho
e seguiu sorrindo


Clareanna V. Santana

@Clareamente

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Premonição

da Gota
do Suor
dos Poros

Em Estado de liquefação

Sentimento físico
que se transforma
em vapor
e gosto de mar...



Clareanna V. Santana

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Por Fim



Quando o papo
ou quando o beijo
Finda...

Quando o amor
E quando a preocupação
Briga…

Quando o tesão
Castiga…
É hora de repensar
A ida.

Clareanna V. Santana
@Clareamente


sábado, 18 de fevereiro de 2017


Obsceno
invoco
Conjurando
segredos
Numa noite
pequena
tão fácil
e densa
Semeando
vontades
Resumindo
nossa loucura
em conjugação
do verbo
Amar.

Clareanna V. Santana
@Clareamente


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ana, num estado de poesia
mensurado com angústia,
sendo sem deixar de Ser,
te pertenci.
Sentindo tacitamente,
o prazer que causa tontura
matou a vontade
e no badalar do último minuto
o gozo findou a tarde.



Clareanna V. Santana
@Clareamente
Clareamente




O  inesperado
materializou-se
num voluptuoso
dançar de coxas


Clareanna V. Santana
@Clareamente

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

AmarO



Desceu rasgando
Goela abaixo…

Quando em outubro
Se fazia novembro.

Com gosto gelado
Queimava a garganta...

Eram um gosto amargo
Que embriagava a memória.

Que sofria o presente
rasgava o passado
e se travestia de solidão.

Clareanna V. Santana

@Clareamente

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Expectativas



De você?
Estórias.

Quatro fases:
Dia
Noite
Hoje
Amanhã.

Deles?
Mentiras
Ou meias verdades
quem sabe...

De mim?
Nada.

De nós?
O decepcionado
desencantamento do mundo.


Clareanna V. Santana
@Clareamente


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A Boca

A boca
que engole o fumo
O líquido 
que inunda o sono
O vento 
que me bate...

A rede 
que acalma o mundo
Os dedos 
que embalam o gozo
A solidão
que me cabe…




Clareanna V. Santana
@Clareamente

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Epílogo




A boca
me lambe
os lábios
Como um vício
bagunça
os planos
E me
deixa.

Clareanna V. Santana
@Clareamente



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Etapa



Era euforia
no princípio...
No meio?
anestesia
atemporal.
E finalmente:
a ressaca
e sua moral.

Clareanna V. Santana
@clareamente

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

HaiKai


Perplexo
Te toco

No sexo
Sem nexo

Meus olhos
Em foco


No beijo
Disléxico



Clareanna V. Santana
@clareamente

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ser [eu] quando fores [tu]



Ter
o que nunca foi dado
Pertencente a quem
nunca foi teu.


Gozar
a falta do sorriso
que madruga na memória.


Sentir
o vazio do sonho
Preenchido pela solidão
que lhe cabe.



Clareanna V. Santana
@Clareamente

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Rasga Mortalha



Naquela madrugada
o som
de tecido
rasgando
me apresentou
o firmamento.

Clareanna V. Santana
@Clareamente



Quando o convite é poesia



Poesia
quando faz
é poeta.

De convite
que se faz
Compromisso.

Vontade
quando se tem
é desejo.

Sendo desejo
o convite
é poesia.


Clareanna V. Santana
@Clareamente

Poesia Sintomática



Cavando
o texto
tácito
Buscando
o sentido
prático
Querendo
o gosto
fálico
Sentindo
o gozo
rápido.



Clareanna V. Santana

@Clareamente

Miragem



Talvez
nem as palavras
podem traduzir
sentimentos

Travestem
Investem
Enganam…

Clareanna V. Santana
@Clareamente



Maternidade



Lava a lama
No qual se encontra.

Ama o leite
Que se deleita.

Cospe no prato
Que se come.

Come o gole
No qual engasga.

Finca o choro
Onde se mata.

Deixa o fardo
Para quem deita.

Clareanna V. Santana
@Clareamente

Ilusão



Palavras
Que me assustam
Dores

Palavras!

Esquecimento
À ponte
Agudo

Palavras!

Desumanas
Que guardam
Amores

Planta-amores
Palavradores.

Clareanna V. Santana
@Clareamente