terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ser [eu] quando fores [tu]



Ter
o que nunca foi dado
Pertencente a quem
nunca foi teu.


Gozar
a falta do sorriso
que madruga na memória.


Sentir
o vazio do sonho
Preenchido pela solidão
que lhe cabe.



Clareanna V. Santana
@Clareamente

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Rasga Mortalha



Naquela madrugada
o som
de tecido
rasgando
me apresentou
o firmamento.

Clareanna V. Santana
@Clareamente



Quando o convite é poesia



Poesia
quando faz
é poeta.

De convite
que se faz
Compromisso.

Vontade
quando se tem
é desejo.

Sendo desejo
o convite
é poesia.


Clareanna V. Santana
@Clareamente

Poesia Sintomática



Cavando
o texto
tácito
Buscando
o sentido
prático
Querendo
o gosto
fálico
Sentindo
o gozo
rápido.



Clareanna V. Santana

@Clareamente

Miragem



Talvez
nem as palavras
podem traduzir
sentimentos

Travestem
Investem
Enganam…

Clareanna V. Santana
@Clareamente



Maternidade



Lava a lama
No qual se encontra.

Ama o leite
Que se deleita.

Cospe no prato
Que se come.

Come o gole
No qual engasga.

Finca o choro
Onde se mata.

Deixa o fardo
Para quem deita.

Clareanna V. Santana
@Clareamente

Ilusão



Palavras
Que me assustam
Dores

Palavras!

Esquecimento
À ponte
Agudo

Palavras!

Desumanas
Que guardam
Amores

Planta-amores
Palavradores.

Clareanna V. Santana
@Clareamente