terça-feira, 21 de março de 2017

Cardiopoesia*



Parti
para outro plano!

Gostaria de sentir
o que aquele muro sentia
quando passei
pela primeira vez.

Olhei
dentro dos olhos do mar
e perdi aquela memória
do caminho que fiz
quando ele falhou
pela segunda vez.

Busquei
um novo sentido para a brisa.

O vento me levava
para outras décadas.
Era jovem ainda,
queria sentir mais.

Então comi
toda alegria que me dera.
Engoli,
mastiguei,
e cuspi no prato que comi.

E senti
a quimera que me envolvia,
nascendo de novo naquela
mistura de sal e terra.

E descobri
que meu coração bate e sofre
de poesia.


Clareanna V. Santana
@Clareamente

* com licença, poética.

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